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O que é economia regenerativa e como preparar a sua empresa

Para além do discurso verde e de responsabilidade social das empresas, a nova economia, ou economia regenerativa é um conceito que propõe que as pessoas deem um passo à frente, rumo à uma mudança completa de paradigma, onde a colaboração, abundância e regeneração dos sistemas, substituem as noções tradicionais de escassez, competição e degradação do meio ambiente. Tais alterações implicam em repensar toda a lógica de produção, consumo, riqueza e bem-estar na sociedade. 

Afinal, não faltam dados, notícias e estudos sobre a degradação ambiental do planeta. De fato, vivemos a era do Antropoceno, onde a exploração desequilibrada de recursos naturais, a geração de lixo e o desperdício de materiais ainda são as bases do crescimento econômico, que além de gerar pobreza e vários problemas sociais, afetam o meio ambiente e o futuro da sociedade. 

O movimento de mudança jamais será algo individual e isolado, e as empresas são agentes fundamentais neste processo. Afinal, são transformadoras e receptoras dos acontecimentos ao seu redor. 

Por isso, a seguir, explicaremos o que é a economia regenerativa, seus princípios e como preparar o seu negócio para esse sistema. Confira!

economia regenerativaO que é economia regenerativa? 

A economia regenerativa é o sistema que deseja substituir a lógica linear de exploração de matérias-primas, produção e consumo, por uma lógica circular que se preocupa com o propósito e o processo de busca de matérias-primas, produção, consumo, reutilização, reaproveitamento, reciclagem e descarte final do produto. Ela propõe a tomada de decisões que atendam às necessidades das pessoas sem degenerar os sistemas naturais, com orientação a longo prazo, com o propósito de combater as desigualdades sociais e conservar a biodiversidade. 

É difícil sintetizar o significado dessa nova proposição de economia, mas é fácil pensar, por exemplo, que se produtos forem usados ​​e reutilizados tanto quanto possível, os sistemas naturais podem se regenerar.

Essa economia regenerativa é uma resposta que também acompanha mudanças de comportamento do consumidor, que hoje procura muito mais que um produto ou serviço que funcione como esperado, mas também marcas com valores com os quais se identifiquem. 

Como exemplos de ações que já ocorrem e que se relacionam com essa nova economia, podemos citar: 

  • uso de materiais biodegradáveis;
  • compostagem de resíduos orgânicos;
  • suspensão de testes em animais;
  • investimento em energias limpas e renováveis;
  • desenvolvimento de produtos recicláveis, etc. 

Vale destacar que o conceito de economia regenerativa está relacionado com outros termos, como: economia verde, economia circular, economia Donut, negócios de impacto, negócios socioambientais, capitalismo consciente, ESG, etc. 

Apesar desses termos possuírem definições, características e objetivos diferentes, tais conceitos estão intrinsecamente ligados pela sua essência em comum, que é: pensar em novas formas de empreender e oferecer serviços, assim como novos modelos de gestão e trabalho. 

Leia também: O futuro é sustentável. A sua empresa está preparada? e ainda Descomplicando o ESG: o que é e como aplicar na sua empresa?

Os 8 princípios da economia regenerativa

Como indicado anteriormente, a economia regenerativa não se refere apenas aos novos modelos de negócios e serviços — ela propõe uma nova visão da vida em sociedade, que reflete diretamente nas empresas, na cultura organizacional e nas expectativas dos clientes.

Em 2015, John Fullerton elencou 8 princípios dessa economia no artigo, Regenerative Capitalism

Ao fazer essa exposição, Fullerton defende que todos os princípios devem trabalhar de forma integrada para uma economia regenerativa. Ele destaca também que os tópicos não se esgotam e podem ser discutidos de diferentes maneiras. São eles: 

  • Relacionamento correto e colaborativo: entende que deve existir uma relação dinâmica e colaborativa entre a economia, a cultura e a natureza. Afirma que a cooperação predomina na fauna e na flora, e não a competição, desse modo, na economia regenerativa a concorrência é vista como uma oportunidade de parceria. 
  • Riqueza holística: o lucro completo não pode ser medido, mas é sentido, pois também é formado por percepções qualitativas de bem-estar e satisfação coletiva. Se a natureza em equilíbrio produz riquezas para todas as espécies, nas empresas o contentamento verdadeiro deve ser possível para todos.   
  • Inovação, adaptação, sensibilidade: mudanças na sociedade não deixarão de ocorrer e “ajustar rotas” sempre será imprescindível. Se na natureza os sobreviventes não são os mais fortes, mas aqueles que se adaptam, as empresas precisam e podem exercer a criatividade e a sensibilidade para transformar seus modos de operação.   
  • Participação empoderada: a ação de um, influencia no cotidiano de outro. Se cada empresa pensar em como sua operação impacta o mundo ao seu redor, ao final, teremos uma grande teia de negócios empoderados, mas que atuam de maneira interligada. 
  • Honra, comunidade e local: as pessoas são diferentes por uma série de fatores e constituem grupos com habilidades diferentes. A economia regenerativa valoriza essas identidades humanas e regionais que podem e devem ser nutridas, agora em torno de um propósito comum. 
  • Abundância do efeito de borda: apesar de interferir diretamente na sociedade, a economia vigente não alcança a todos da mesma forma. Assim, surgem novos modelos e ações inovadoras nas “bordas” ou mesmo, nas “periferias”. Na prática, os negócios regenerativos adotam as bases da comunicação não-violenta, bem como políticas de inclusão e diversidade.  
  • Fluxo circulatório robusto: “na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se tranforma”, já dizia o químico Antoine-Laurent de Lavoisier. Sendo assim, é possível pensar num fluxo circular, no qual resíduos antes descartados podem ser reutilizados, reaproveitados ou reciclados. Empresas que consideram essa lógica, também pensam no destino do produto após a venda ser feita.  
  • Equilíbrio: na economia regenerativa, a busca pelo equilíbrio é uma constante. Seja entre produção e consumo, colaboração e competição, anseios e necessidades, entre outros. 

Você conseguiu pensar em exemplos a partir dos princípios citados? A verdade é que a ideia de que o “modus operandi” da economia padrão não se sustentará por muito tempo, não é nova. 

E ainda que o contexto atual seja bastante desafiador em vários aspectos e a situação climática seja alarmante e urgente, acreditamos que a partir da economia regenerativa, do design de serviço e ambiental, podemos pensar em soluções colaborativas e inovadoras para impulsionar a transformação desejada. 

Saiba mais: Como encantar clientes com experiências perfeitas

Se a economia global deve se tornar sustentável, não devemos simplesmente medir os resultados que desejamos, devemos aprender a identificar os fatores subjacentes que geram saúde sistêmica duradoura. Devemos então projetar a economia — e o sistema financeiro que a serve — para incorporar esses princípios.“ 

– Trecho do artigo Regenerative Capitalism 

A partir dessa perspectiva, as empresas podem não apenas minimizar o seu impacto no meio ambiente, mas contribuir para a regeneração dos ecossistemas e da essência da vida.

economia regenerativa

Como preparar e aplicar a economia regenerativa nas empresas?

As soluções propostas pela nova economia têm propósitos bem definidos, são acessíveis, sistêmicas e replicáveis. 

Contudo, exigem força de vontade, ousadia e criatividade por parte de pessoas e empresas, principalmente para os negócios que passaram anos agindo da maneira tradicional. A aplicação das soluções também vai pedir por práticas de sensibilização. 

Afinal, a preparação de uma empresa para abraçar a economia regenerativa não ocorre do dia para noite, mas é perfeitamente viável por meio de iniciativas bem embasadas. Abaixo, você vai conferir algumas dicas. 

  • Antes de começar algo novo, amplie seus conhecimentos. Converse com pessoas e empresas que já estão envolvidas com a nova economia e até com as que não estão, observe, ouça, troque ideias e considere as possibilidades (até as mais “mirabolantes”, pois a partir delas, algo novo pode ser criado.  
  • Se ainda não puder mudar a sua organização, apoie as novas que se comprometem com essa lógica circular da economia e/ou que promovem múltiplas formas de capital (slow money, movimento black money, etc).   
  • Faça uma lista das riquezas que você tem e que vão além das conquistas financeiras. Em seguida, relacione com o seu negócio. Seu produto/serviço impacta a sociedade de que forma? Os clientes estão satisfeitos? Você sabe por que eles escolhem a sua marca e não outra?  
  • Desafie-se a pensar de maneira global, enxergue além dos muros da sua companhia. Se um dos principais motivos de você ter o seu negócio era ser mais independente e capaz de transformar a própria realidade, outras pessoas o ajudaram e podem até ter o mesmo objetivo. De que forma o seu feito contribui com as pessoas ao seu redor?  
  • Encontre maneiras de reutilizar, reaproveitar ou contribuir com a reciclagem de resíduos, seja na empresa (desde o processo produtivo) ou na sua casa. Construtoras, por exemplo, podem inovar processos preferindo utilizar tijolos e cimentos ecológicos ou mesmo dando um destino criativo às sobras de materiais.  
  • Apoie iniciativas e considere investir em alternativas que beneficiam o planeta, como fontes de energia limpa e renovável, por exemplo, solar e eólica. Você vai descobrir que há iniciativas que entregam muito além da responsabilidade ambiental, sendo bem mais vantajosas do ponto de vista social e financeiro.  
  • Estimule e aproveite a riqueza que a diversidade de ideias e características das pessoas é capaz de oferecer. Empresas que possuem políticas reais de diversidade e inclusão são mais bem sucedidas

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